“Livrai-nos do mal”: a secularização e os “espíritos” do fundamentalismo evangélico brasileiro

Autores

  • Cleiton Ferreira Maciel Brito Universidade Federal da Grande Dourados
  • Jeanne Mariel Brito de Moura Maciel Universidade Federal da Grande Dourados

DOI:

https://doi.org/10.46269/8219.364

Palavras-chave:

Secularização, identidades sociais, fundamentalismo religioso, Estado

Resumo

Nesse artigo buscamos mostrar, a partir de uma discussão teórica, o fundamentalismo religioso no Brasil como forma de construção de identidades sociais em resposta ao processo de secularização. Primeiramente pontuamos nosso entendimento sobre secularização. Em seguida relacionamos essas características com a cultura, dando destaque à noção de identidades sociais. Depois procuramos mostrar como a secularização é percebida pelos grupos religiosos brasileiros, e como eles reconfiguram seus vínculos identitários na forma de fundamentalismos. Estabelecemos para isso, três tipos ideais, pontuando distinções entre eles, quais sejam: o fundamentalismo neopentecostal, o fundamentalismo pentecostal/católico e o fundamentalismo tradicional/protestante.

Biografia do Autor

Cleiton Ferreira Maciel Brito, Universidade Federal da Grande Dourados

Professor Pós-Doc da Universidade Federal da Grande Dourados. Faculdade de Ciências Humanas - FCH. Sociologia.

Jeanne Mariel Brito de Moura Maciel, Universidade Federal da Grande Dourados

Professora da Universidade Federal da Grande Dourados. Faculdade Intercultural Indígena - FAIND. Sociologia.

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Publicado

2020-08-24