“A coragem, ela vem também da consciência”: Entrevista com Padre José Domingos Bragheto

Autores

  • Maria Aparecida de Moraes Silva Professora visitante sênior da CAPES junto ao Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – São Carlos – Brasil. Pesquisadora do CNPq.

DOI:

https://doi.org/10.46269/3214.140

Palavras-chave:

Memória, Ruralidades, Religião, Trabalho, Política

Resumo

Em junho de 1989 realizei uma entrevista com o Padre Bragheto em São Paulo. Foi possível recuperar, por meio de um longo relato, os primórdios de seu envolvimento com os trabalhadores rurais, bem como seus desdobramentos. Seu testemunho se constitui num subsídio extremamente importante para a memória e a história dos trabalhadores rurais vis-à-vis a construção social da consciência de classe e também de gênero. Ainda muito jovem, recentemente ordenado padre, Bragheto, em 1975, deu início a sua atuação religiosa em Bebedouro/SP. Em 1979, a convite de um padre da CPT participou de uma reunião com Carlistas e, desde então, foi despertado para as questões sociais. Em seguida foi transferido para Santa Ernestina, e, depois, para Dobrada, duas cidadezinhas habitadas majoritariamente por trabalhadores rurais, migrantes de várias regiões do país. Os campos – religioso e político – tinham terra fértil para produzir bons frutos. No entanto, o quê fazer e como fazer? Seu depoimento registra os caminhos tortuosos da construção de uma práxis, assim descrita: celebrando durante as madrugadas “missas nos pontos” de saída dos caminhões, que transportavam os trabalhadores aos locais de trabalho; frequentando bares, bailes, casas; enfrentando policiais durante várias greves; organizando as mulheres para que assumissem a direção de sindicatos; realizando a bênção dos facões durante as missas; participando de atos de ocupações de terra.

Publicado

2020-05-18