Sobre a zona de não-ser e o negro-tema: um debate acerca da produção do conhecimento a partir de Frantz Fanon e Guerreiro Ramos

Autores

  • Patrícia Amorim Weber Universidade Federal de São Carlos
  • Priscila Martins Medeiros Universidade Federal de São Carlos

DOI:

https://doi.org/10.46269/9120.467

Palavras-chave:

Teoria social, modernidade, racialização, Frantz Fanon, Guerreiro Ramos.

Resumo

Este artigo busca compreender de que modo o sujeito negro esteve alocado na produção canônica da teoria social moderna a partir das obras de Frantz Fanon e de Guerreiro Ramos. Tendo como método a análise de conteúdo, chegamos à conclusão de que ambos os autores se aproximam ao considerar que esta produção canônica concebeu uma narrativa equivocada acerca da subjetividade e da realidade social do negro ao situá-lo como ser estático e inferior. Assim, com base nos conceitos “zona de não ser”, de Fanon, e “negro-tema”, de Ramos, desenvolvemos nossa reflexão em torno do argumento de que a racialização do sujeito negro impossibilitou o conhecimento pleno de sua experiência social pela produção teórica. 

Biografia do Autor

Patrícia Amorim Weber, Universidade Federal de São Carlos

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar, desenvolve o projeto intitulado "Os intelectuais e a política: uma análise sobre a relação entre intelectuais negros brasileiros e o processo de democratização da política brasileira (1985-2010)". Atualmente é membro do grupo de pesquisa Sociologia e Estudos da Diáspora Africana, vinculado ao Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (NEAB/UFSCar). Tem interesse nas áreas de Sociologia das Relações Raciais, Teoria Social, História do Movimento Negro, Sociologia dos Intelectuais e Racismo Epistêmico.

Priscila Martins Medeiros, Universidade Federal de São Carlos

É doutora em Sociologia (2014 pela UFSCar. Possui mestrado em Sociologia e bacharelado em Ciências Sociais, ambos também pela UFSCar. É pesquisadora membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFSCar (NEAB/UFSCar) e líder do Grupo de Pesquisa Sociologia e Estudos da Diáspora Africana (CNPq). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Relações Étnico Raciais, atuando principalmente nos seguintes temas: Relações Raciais, Sociologia Brasileira e Estudos Pós-Coloniais.

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Publicado

2020-02-24