Criminalização das drogas e controle social: o papel da medicina na formação da moralidade burguesa

Autores

  • Monique Batista do Nascimento Universidade Federal de Juiz de Fora

DOI:

https://doi.org/10.46269/8219.439

Resumo

A formação capitalista tornou possível um uso desmedido de substâncias psicoativas, causando preocupações governamentais devido a desregulamentação das condutas sociais necessárias para o bom funcionamento do novo sistema econômico. A necessidade de regulação de uma moralidade voltada para o trabalho, fez da medicina um instrumento de intervenção da realidade social, expandindo seu poder e influência para além do campo da saúde. A partir das contribuições teóricas de Michel Foucault sobre o nascimento da biopolítica, este artigo pretende apresentar o “problema das drogas” como um problema político e moral que tem como plano de fundo um crescente reconhecimento científico e profissional da autoridade médica que se consolidou atendendo aos interesses da sociedade capitalista.

Biografia do Autor

Monique Batista do Nascimento, Universidade Federal de Juiz de Fora

Graduada em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Juiz de Fora

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Publicado

2020-08-24