Gênero e Barragem: um estudo sobre as experiências das mulheres atingidas da UHE de Jaguara

Autores

  • Jéssica Pires Cardoso

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar a dimensão de gênero em um contexto de construção de barragem. A análise desenvolvida toma como base o estudo de caso realizado na cidade de Rifaina/SP, impactada diretamente pela construção da UHE (Usina Hidroelétrica) de Jaguara no final da década de 1960. Para tanto, lança mão de uma análise processual que busca relacionar o modo de vida das mulheres antes, durante e depois da construção da usina hidrelétrica a fim de compreender as transformações no modo de vida das mulheres atingidas, bem como as relações e dominações de gênero em tal conjuntura. A hipótese levantada é de que as consequências da instalação de uma barragem extrapolam os níveis ambientais e sociais, e atingem diretamente a sociabilidade feminina, notadamente, ao agitar as relações pautadas na dominação patriarcal, seja para reforçar, romper ou simplesmente reafirmar as desigualdades de gênero em uma família.


Palavras-chave: Gênero; Atingidas por barragem; Experiência.

Referências

ACSELRAD, Henri; SILVA, Maria das Graças da. Rearticulações sociais da terra e do trabalho em áreas de grandes projetos hídricos na Amazônia – o caso de Tucuruí. In: ZHOURI, Andréa (Org). As tensões do lugar: hidrelétricas, sujeitos e licenciamento ambiental. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2011. p. 61-92.

BOSI, Éclea. Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos. 3a ed. São Paulo, Companhia das Letras, 1994.

BORIS, Eileen. Produção e Reprodução, casa e trabalho. Tempo Social, Revista de sociologia da USP, São Paulo, v. 26, n.1, p. 101-121, 2014.

BRANDEMBURG, Alfio. Do rural tradicional ao rural socioambiental. Ambiente & Sociedade, v 13, n.2, p. 417-428, jul/dez. 2010.

BRUMER, Anita. Gênero e agricultura: a situação da mulher na agricultura do Rio Grande do Sul. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 12, n. 1, p. 205-227, jan./abr. 2004.

BRUMER, Anita; ANJOS, Gabriele dos. Gênero e reprodução social na agricultura familiar. Nera, Presidente Prudente, v. 11, n. 12, p. 06-17, jan./jun. 2008.

CANDIDO, Antonio. Os parceiros do rio bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. 7ª Ed. Livraria Duas Cidades LTDA. 1987, 334p.

CARDOSO, Jéssica Pires. Trajetórias de vida e de classe: um estudo sobre rearranjos territoriais e identitários na implantação da usina hidrelétrica de Jaguara. Dissertação Mestrado. São Carlos: UFSCar, 2016.

CARNEIRO, Maria José. Do rural como categoria de pensamento e como categoria analítica. In: ____. Ruralidades Contemporâneas: modos de viver e pensar o rural na sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Mauad X: FAPERJ, 2012. p. 23-50.

DERROSO, Giuliano Silveira; ICHIKAWA, Elisa Yoshie. A construção de uma usina hidrelétrica e a reconfiguração das identidades dos ribeirinhos: um estudo em Salto Caxias, Paraná. Ambiente & Sociedade. São Paulo. v. 12, n. 3, p. 97-114, jul./set, 2014.

DIEGUEZ-CASTILLON, Maria Isabel; GUEIMONDE-CANTO, Ana; SINDE-CANTORNA, Ana; BLANCO-CERRADELO, Lígia. Turismo rural, empreendedorismo e gênero: um estudo de caso na comunidade autônoma da Galiza. RESR, Piracicaba, v. 50, nº 2, p. 371 – 382, 2012.

GONÇALVES, Juliano Costa; VALENCIO, Norma F. L.S; MARTINS, Rodrigo Constante; LEME, Alessandro André. Análise das Alterações de Comportamento do Mercado de Terras Rural Provocadas pela Implantação de Megaprojetos Hídricos. In. Uso e Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil. VALENCIO, Norma F. L.S; MARTINS, Rodrigo Constante; LEME, Alessandro André (Orgs.). São Carlos: RiMa, 2001, p. 149-164.

HIRATA, Helena; KERGOAT, Danièle. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 132, p. 595-609, set./dez. 2007.

HIRATA, Helena; GUIMARÃES, Nadya Araújo. In: ____. Cuidado e cuidadoras: as várias faces do trabalho do care. São Paulo: Atlas, 2012, p. 1-11.

JOLLIVET, Marcel. A “vocação atual” da sociologia rural. Estudos Sociedade e Agricultura, n. 11, 1998, p. 05 – 25.

______. Pour une science sociale à travers champs: paysannerie, ruralité, capitalism. Paris: Ed. Arguments, 2001.

MARTINS, Rodrigo Constante. (Novas) Ruralidades e teoria social: um olhar weberiano sobre a noção de território. In. ____. Ruralidades, trabalho e meio ambiente: diálogos sobre sociabilidades rurais contemporâneas. São Carlos: EdUFSCar. 2014, p. 77-96.

PARMIGIANI, Jacqueline. Apontamentos para a história de uma luta: os atingidos pela barragem de Salto Caxias/PR. Tempo da Ciência, v. 13, n. 26, p. 107-123, 2º semestre 2006.

PASE, Hemerson Luiz; ROCHA, Humberto José da; O conflito social e político nas hidrelétricas da Bacia do Uruguai. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 30, n. 88, p. 99-113, jun., 2015.

PAULILO, Maria Ignez Silveira. O peso do trabalho leve. Ciência Hoje, Rio de Janeiro: SBPC, v. 5, n.28, p. 64-70, 1987.

______. FAO, Fome e Mulheres Rurais. Dados. Rio de Janeiro, v. 56, n. 2, 2013, p. 285-310.

QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. Relatos Orais: do “indizível” ao “ dizível . In: SIMSON, Olga Moraes Von. Experimentos com Histórias de Vida (Itália-Brasil). São Paulo: vértice, 1988. p. 14-43.

SAFFIOTI, Heleieth. Gênero, patriarcado, violência. 2ª ed. São Paulo: Expressão Popular: Fundação Perseu Abramo, 2015. 160p.

SPARRER, Marion. Genero y Turismo Rural. El ejemplo de la costa coruñesa. Cuaderno de Turismo, v. 11, p. 181 – 197, 2003.

THOMPSON, Edward. A miséria da teoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1981.

______. A economia moral da multidão inglesa no século XVIII. In. ____. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 150-202.

VAINER, Carlos Bernardo; ARAÚJO, Frederico Guilherme Bandeira. Grandes projetos hidrelétricos e desenvolvimento regional. Rio de Janeiro: CEDI, 1992. 85p.

WANDERLEY, Maria Nazaré Baudel. O Mundo Rural como um Espaço de Vida: reflexões sobre a propriedade da terra, agricultura familiar e ruralidade. Porto Alegre, RS: Ed. UFRGS, 2009.

Publicado

2019-11-23