De Pareto a Borges: Realidade e Ficção na Construção do Conhecimento em Sociologia

Autores

  • Caroline Pimentel Corrêa Bacharel em Ciência Sociais pela UFSM. Mestre em Ciência Política pela UFRGS. Doutoranda em Sociologia na U.Porto/Portugal.
  • Fabrício Monteiro Neves Professor do Departamento de Sociologia da UnB. Doutor em Sociologia pela UFRGS.
  • Fabrício Teló Bacharel em Ciências Sociais pela UFSM. Mestrando pelo Programa de Pos-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA/UFRRJ).
  • Jéssica Maria Rosa Lucion Bacharel em Ciências Sociais pela UFSM/RS.
  • Julio Souto Graduado em Sociologia e Ciência Política pela Universidade de Valência – Espanha. Mestrando em Sociologia pela UFRGS.
  • Reginaldo Teixeira Perez Professor do DCS e do PPGCS da UFSM/RS. Doutor em Ciência Política pelo IUPERJ/UCAM.

DOI:

https://doi.org/10.46269/3114.134

Palavras-chave:

Sociologia, Métodos, Vilfredo Pareto

Resumo

Este ensaio – que possui a forma de um dossiê – tem como objeto o que se convencionou chamar de “dilemas do(s) método(s) na Sociologia”, reconhecendo-se o seu caráter construtivo. Partindo-se dos parâmetros cognitivos “ortodoxia versus ficção”, achega-se a pontos intermediários, com a afirmação de um estatuto científico para a Sociologia sem que se elidam os seus fatores artificiais. As provocações se inauguram com o exame das formulações sociológicas de Vilfredo Pareto, sublinhando-se a sua ousadia metodológica marcada pela (pretensão de) objetividade, e alcançam o outro extremo com o emprego da criação literária, tendo-se como exemplares Kafka e Borges. A busca por pontos intermediários visita as teorias de Weber, Bourdieu, Bobbio e Habermas, entre outros – e o que sobrevém desse movimento é que os exercícios de racionalidade que almejam conhecimento na Sociologia são tanto vicários do instável equilíbrio entre objetivos e procedimentos quanto da anuência dos que definem o caráter da ciência naquele momento específico.

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Publicado

2014-01-22