Fluxos e itinerâncias dos usuários de crack em São Paulo: impactos do programa municipal “De Braços Abertos”

Autores

  • Eduardo Rumenig Souza Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.46269/8219.111

Palavras-chave:

cracolândia, antropologia urbana, espaços heterotópicos, territorialidades itinerantes.

Resumo

Neste artigo, analiso os impactos do programa municipal “De Braços Abertos”, estruturado na região central de São Paulo para atender a usuários de crack socialmente vulneráveis. O percurso etnográfico possibilitou a abordagem de formas de sociabilidade entre agentes de saúde do Braços Abertos e usuários de crack. Posteriormente, a análise se deteve nos encontros de formação profissional dos agentes do Braços Abertos que atuam na região. A despeito da consolidação do programa, a cracolândia parece conservar uma certa territorialidade itinerante, sujeita a deslocamentos constantes e dependentes de táticas e ações discricionais mobilizadas por diferentes atores.

Biografia do Autor

Eduardo Rumenig Souza, Universidade de São Paulo

Mestre em Educação Física pela Faculdade de Educação Física e Esporte (EEFE-USP) e graduando em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É pesquisador do Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade (GEAC) coordenado pelo Prof. Heitor Frúgoli Jr (Departamento de Antropologia/FFLCH/USP).

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Publicado

2020-08-24