Proibicionismo brasileiro e seus desdobramentos: a moralidade na opinião pública e o papel da mídia maranhense

Autores

  • Ana Luísa Rocha Martins Naslausky Mestranda em Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
  • Beatriz Brandão Pós Doutoranda em Sociologia (USP). Pesquisadora do Ipea na pesquisa nacional sobre metodologias de cuidado a usuários problemáticos de drogas.
  • Wellington Conceição Professor adjunto da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

DOI:

https://doi.org/10.46269/8219.430

Palavras-chave:

Proibicionismo, Drogas, Mídia,

Resumo

O presente artigo trata sobre o modelo proibicionista brasileiro no que tange ao uso de determinadas substâncias psicoativas, tidas como drogas ilícitas, e sua adesão pela opinião popular. Parte do questionamento sobre quais seriam as razões pelas quais o modelo vigente ganhou aceitação entre os brasileiros, ao ponto de se tornar uma das justificativas expressas no texto legal da Política Nacional Sobre Drogas de 2019. De início, foi traçado um panorama histórico, a fim de demonstrar como a moralidade protestante estadunidense esteve presente nos primórdios do proibicionismo ocidental. Considerando que os brasileiros pautam suas posições sobre o tema influenciados pela mídia, foi apresentado, ao final, uma pesquisa em 448 notícias, sobre como a mídia maranhense abordou a temática em 2019.

Biografia do Autor

Ana Luísa Rocha Martins Naslausky, Mestranda em Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Bacharel em Direito (UFMA). Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Wellington Conceição, Professor adjunto da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Doutor em Ciências Sociais (UERJ). Professor adjunto da Universidade Federal do Tocantins (UFT)  e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

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Publicado

2020-08-24